quinta-feira, dezembro 13, 2007

Queria Poder - Tomaz Almeida

Queria poder me libertar dessas algemas
Livrar-me desta cadeia que me aprisiona
Queria poder caminhar com meus pés

Pela praia, sendo platéia do pôr do sol
Queria poder ser feliz
E com minhas próprias mãos construir meu recanto

Queria poder voltar a ser criança
E olhar para o céu e nunca perder a esperança
Queria poder ser mais confiante

Nunca duvidar de minha capacidade
Queria poder falar para todos e também a ela
Eu te amo

Queria poder ter mais coragem
Para quando vier à oportunidade não hesitar
Queria poder.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

TER OU NÃO TER NAMORADA - Artur da Távola

Não sequei... mas também não tenho coragem de ler algumas coisas que falam tão bem por si mesmas e não as colocar como sendo uma identificação animal pelo corrente!

Em tempo... não a tenho ainda, nem sei se a consigo mais, mas seria uma complitude muito grande prá minha besta vida! Evidentemente, prá quem sabe da minha orientação, leia-se NAMORADA, blz? Hahaha... o explicado não é caro!


TER OU NÃO TER NAMORADO
Artur da Távola

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário. Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

Se eu morrer amanhã

Texto enviado por uma amiga sincera, linda, com o coração do tamanho do mundo... tks Darkess Angel, Marta Miguel, de tantos poucos anos, de tantas emoções, de tantas verdades, de tantas zoações!!!!


Se eu morrer amanhã


Se eu morrer amanhã,
Pedirei apenas uma coisa:
Que possa, mesmo que por um instante,
Olhar para trás.

Certamente, rirei de minha inocência
Enquanto fui criança.
E logo depois chorarei,
Sofrendo terrivelmente
Por tê-la perdido.

Me divertirei com tolas preocupações
Que afligiram a minha adolescência.
E sentirei um desejo aterrador
De viver isso novamente.
Para fazer tudo igual,
Embora diferente.

Se eu morrer amanhã,
Verei que amava minha vida
E minha família
Muito mais do que imaginava.
E me arrependerei amargamente
De não ter gritado isso aos quatro ventos.

Me arrependerei tanto...
De projetos maravilhosos que nunca foram realizados.
De sentimentos raros que não foram revelados.
E de todo tempo gasto diante da televisão.
Me arrependerei de não ter ido aos lugares que quis,
De não ter provado todos os sabores,
E de não ter beijado todas a bocas que desejei.

Se eu morrer amanhã,
Sentirei falta de coisas que não me pareciam tão importantes.
Sentirei falta da chuva,
E do cheiro que deixava na terra.
Sentirei falta do barulho do mar,
E do sol. Sentirei muita falta do sol
E de todos os crepúsculos que eu não vi.

Sentirei falta de absolutamente tudo.
Ate mesmo do que nunca me importou.
E sofrerei com uma imensa angustia
Que me fará buscar com desespero
Coisas boas,
Das quais não irei me arrepender.

Então lembrarei de todos os meus amigos,
E de todas as pessoas que me surpreenderam.
E também das que me decepcionaram,
E das que me perdoaram.
E lembrarei das poucas vezes em que me senti feliz
Sem qualquer motivo especial para isso.
E das vezes em que me permiti errar
E acertei.

Se eu morrer amanhã,
Tentarei achar em minha vida
Um sentido filosófico
E uma beleza poética.
E conseguirei.
E daí me deixarei aquietar,
E sentirei a paz que todos buscam.
E um sentimento de profunda gratidão
Por ter apenas vivido.
Como todas as pessoas,
Mas não como qualquer pessoa.

Se eu morrer amanhã,
Pedirei, mesmo sabendo que em vão,
Para voltar.
E ai viver intensamente,
E fazer tudo o que desejar.
Sabendo usar o tempo
Que eu nunca soube usar.
E ver tudo de outra maneira,
Com uma alma serena
E um coração muito mais quente.
Que seria como tudo em minha vida.
Que não seria nada morna, nem nada cinza.
E que não teria nem um minuto que não fosse de extrema felicidade,
E de plena consciência.

Se eu morrer amanhã,
Viverei todos os momentos de minha vida
Em poucos instantes.
E ai então, entenderei tudo.
E rirei de mim mesma,
E de minhas esperanças,
E de minhas aflições.

Pois deitara sobre mim uma sabedoria plena,
E então eu saberei
Que disso tudo eu sempre soube.
E que se não fosse morrer amanhã,
Nada mudaria.
Embora saiba que a vida
Um dia
Realmente acaba.

Caroline Dienstmann