segunda-feira, novembro 19, 2007

Crime delicado

Feriado... nothing to do... óbvio! Filme cult... e filmezinho cult pode ser qualquer... dessas besteiras pós-modernas que andam lotando as prateleiras das locadoras e continuam totalmente vazias nos cinemas... vamos ver se há algo de tão bom no tal 'lado B', né? Vamos ver se há algo de aproveitável em lata de lixo... não sei qual a graça, mas vamos prá manter a amizade...



Achei um pelo menos que deu vontade de assistir... o resto que continue a ocupar lugar e poeira na prateleira ate ser encontrado por algum outro alucinado num feriado enfadonho.



Crime Delicado... concisão e laconismo... ao invés (poutzzzzz... até quando eu vou falar a respeito de talento desperdiçado por pessoas que não tem coragem de agir decentemente diante do dom que receberam) de escancarar o triângulo amoroso e odioso da crítica, da arte e da relação humana, desperdiça negativo montando uma trama sexual bem babaquinha... acho que cada dia mais os meus princípios me incomodam ou me surtam, mas é burra a visão e inteligente a concepção... vai entender... a inteligência se perdeu no apelo bizarro de uma conversa totalmente insólita entre dois travestis e entre dois bêbados... a perfeição da dissimetria da Lilian é absurda... aliás ela me faz lembrar em muitas coisas alguém que me esforço prá esquecer... enfim... baita talento, essa menina... aliás, um baita elenco, mas a idéia que era boa ficou fraca...

Cada dia mais odeio o 'lado B', sabia? Como as pessoas gostam do obscurantismo, não pela opção pelo alternativo, pelo inesperado... a grande reportagem, a entrevista e as palavras ideológicamente musicais e comunistas de Niemeyer que circulou nesse fim de semana na Record News mostram o grande gênio totalmente alternativo, não parou no 'lado B'... prosseguiu animal dentro do seu talento, permitindo-lhe ser o pensador sobre os problemas mundiais e mesmo assim elogiar Fidel e Che... haja culhão prá esse senhor de 100 anos, que é muito mais forte e vigoroso do que a maioria dos 'ratos amedrontados' do 'Lado B'...

Enfim... desperdício... pelo menos a capa do filme e a gata Lilian e o alucinado do Matheus Natchergaele salvam as duas horas que passei assistindo esse filme...

segunda-feira, novembro 12, 2007

Pelo Centro... o caos e o vazio!

Me peguei no mesmo horário, no mesmo dia da semana, um domingo. Me peguei saindo do mesmo lugar, do mesmo apartamento, em direção ao caminho que fiz com você.

Estranhamente eu notei pessoas pelas ruas. Na verdade eu notei que haviam pessoas, pois da primeira vez eu nem notei que o mundo existia.

Você caminhava ao meu lado... insistia em não me dar a mão e eu insistia em pegar na sua mão, um adolescente típico desejando o toque da pele do primeiro amor. Insistia em olhar para você, mesmo que você propositadamente não olhasse para mim, o maior tempo possível, adorava você em silêncio, em pensamento, em palavras, em ardor, em gemidos, em gritos... não me importava onde ou quando, mas precisava decorar cada pedacinho seu, saber de cada reação, de cada jeito... sempre quis beber de você, me embriagar de você, sempre quis na minha busca olhar para você.

Meus passos iam prosseguindo os caminhos que passamos juntos no centro da maior cidade da América do Sul.

Parei em cada um que paramos e bati as mesmas fotos que você bateu.

Óbvio que não com a sua visão esmerada, mas quis guardar para mim a sua sensação diante de cada arquitetura, de cada monumento, de cada banca de jornal e até da árvore com milhares de sacos plásticos presos esvoaçantes, como uma lata de lixo viva... só que dessa vez ela estava com muitas folhas, e percebi mais o verde que os sacos hasteados ao vento.

Passei pelo pedaço da praça onde você achou que era um barzinho do Rio, pela ventilação do chão que subiu sua saia indecentemente, num revival de Merilyn, porém com uma mulher muito mais linda e doce.

Caminhei pelo seu palco, onde você dançou em pleno calçadão, em movimentos graciosos, me fazendo sentir como um ganso desengonçado perto de um cisne lindo, como o único espectador de um balé perfeito. Relembrei cada movimento seu. Cada palavra, cada olhar.

Ri quando estava diante do monumento ao Padre Anchieta, das sua interpretação palhaça e altamente profana, vi os mesmos mendigos que passamos quando você me mostrava lugares que eu já tinha ido tantas vezes, mas sem a sua alma poeta, sem a visão e o talento da mulher com os olhos mais perfeitos que eu já olhei.

O Viaduto do Chá... aquele gato barrilforme, amarelo, disfarçando um arcabouço de metal, com patas fincadas no chão.. lembrei dos comentários, da sua risada, do convite que você me fez para pagar o seu almoço naquele restaurante alucinado num dia qualquer da semana... uma semana que nunca vai chegar, um almoço num lugar que nunca vamos olhar a carta de vinho ou o cardápio...

Me encontrei com o velho anjo carcomido pelo tempo que lhe mostrei, pendurado por décadas num prédio antigo, caminhei pela galeria, pelo Patéo do Collegio, pela Sé... senti vertigem com a bagunça instaurada de milhares de pessoas buscando caminhos e diversão, aqueles monges saindo novamente da Catedral e aquele sistema de som chutando os ouvidos... como foi bom o caminho só com você!!! Saí dali correndo, como fizemos, parei no Patriarca e vi novamente aquele grupo de dança e percussão. Parei dessa vez para conversar com um dos integrantes, para saber como eu poderia tocar ali... quem sabe um dia você volte ali e eu possa ver você de novo?

O Theatro... dessa vez sentei naquelas escadarias, passei pela bilheteria que comprei os ingressos para o balé, para o quarteto de cordas e voz, para o recital... ingressos que não utilizamos, pois não tinha sentido ir sozinho se era para mostrar a dignidade, a energia, o inconsciente coletivo dos mestres que habitaram ali a você...

Me enchi de coragem e fui ao monumento a Carlos Gomes, diante dos degraus majestosos que você sempre alucinou, fiquei ali por muito tempo, olhando para a paisagem que você adora, para as pessoas que poderiam um dia ter compartilhado aquele lugar com você. Tentei imaginar o que você pensava naquele lugar, por onde a sua alma ia... não pude conter as lágrimas por não encontrar você ali também. Ainda bem que meus óculos escuros estavam à mão, e com eles eu voltei em direção da República, parei no McDonald's, pedi uma coca e sentei exatamente onde sentamos...

Voltei olhando a Praça da República, bem em frente, como uma ilha de vida no meio de tanto concreto...

Voltei ao velho e bom Copan... o mais solitário, o mais serpenteante, o mais rebelde, desesperadamente em movimento, sofregamente se erguendo gigantemente acima dos outros prédios, gritando sua dor, mostrando a sua força, destruindo paradigmas, tentando se revolucionar contra a paisagem reta, inflexível, dura, como um solitário que busca sua ideologia, sua razão de viver, sua missão, como um herói de guerra, que volta à pátria e busca não honras ou condecorações, que busca a felicidade por estar com sua parceira, buscando no meio da multidão de outros heróis, em meio à multidão de mulheres, em meio ao caos do cais do porto, os olhos por quem se apaixonou como nunca na sua vida; a força da busca mais que a vida, a obsessão pelo Plano das Idéias, pela prática Socrática, pela Ilíada, por Aída, pela loucura do Rei Lear... assim como eu ainda busco você!

terça-feira, novembro 06, 2007

Iris - Goo Goo Dolls

And I'd give up forever to touch you
'Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that
I'll ever be
And I don't want to go home right now
And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
And sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight

And I don't want the world to see me
'Cause I don't think they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And you can't fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything feels like the movies
Yeah you bleed just to know you're alive

And I don't want the world to see me
'Cause I don't think they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
And I don't want the world to see me
'Cause I don't think they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And I don't want the world to see me
'Cause I don't think they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am

E eu desistiria da eternidade para te tocar
Pois eu sei que, de algum modo você me sente
É o mais próximo do paraíso que eu jamais estarei
E eu não quero ir para casa agora
E tudo que posso provar é este momento
E tudo que posso respirar é a sua vida
Porque mais cedo ou mais tarde tudo acaba
Eu só não quero ficar sem você esta noite
E eu não quero que o mundo me veja
Porque eu sei que eles não entenderiam
Quando tudo é feito para não durar
Eu só quero que você saiba quem eu sou
E não pode lutar contra as lágrimas que vem
Ou o momento de verdade das suas mentiras
Quando tudo se parece como nos filmes
Sim, você sangra apenas para saber que está vivo
E eu não quero que o mundo me veja
Porque eu sei que eles não entenderiam
Quando tudo é feito pra não durar
Eu só quero que você saiba quem eu sou
E eu não quero que o mundo me veja
Porque eu sei que eles não entenderiam
Quando tudo e feito pra não durar
Eu só quero que saiba quem eu sou

Porque você me procura?

Se ainda não doesse à alma a sua falta
Se ainda não rolassem lágrimas todas as noites no travesseiro
Se ainda não me sentisse totalmente só ao acordar
Como se os ossos não rangessem de dor

Mesmo que hajam outros perfumes,
Ainda insisto em sentir seu cheiro
Nas ruas frias, no vento que vem de longe,
...em mim

Não levando em consideração meu sofrimento
Você vem e com ar de professora
Me ensina que você é maravilhosa
E com intenso descaso ensina que sem você,

Absolutamente vazio
Plenamente dor
Totalmente meu amor
Insiste em ser louco por você!