terça-feira, outubro 31, 2006

Dor no coração

Outro dia falei com uma amiga próxima, uma pessoa fantástica, com mil possiblidades, com uma visão de mundo animal, coisa que se vê com cada vez menos freqüência hoje em dia.

Como várias pessoas próximas, tenho presenciado um desafeto crescente, uma individualização, um egoísmo claudicante nas expectativas da criação de uma visão única, de um relacionamento, de um projeto a dois. Não sei se sou a pessoa mais qualificada, afinal foi-se pela janela um desses projetos, com 16 anos de construção, mas tenho a consciência de que tudo foi tentado. Hoje me vejo pouca vontade em correr riscos... talvez seja uma mudança comportamental, ou a imbecilidade genética da minha espécie, que se autoriza a usar a mulher como objeto, como troféu de caça e não somente como um relez objeto de consumo, como variedade, como descartável, mas os que se propõe a sublimar a imbecilidade do 'ficar' caem invariavelmente num sentimento de posse, e se assoberbam numa posição de senhor e a mulher, tão abertamente escancarada pro relacionamento, tão íntegra pro amor fica aprisionada no pelourinho.

Por que não há continuidade na atitude da conquista? Por que não há a visão da mulher como a flor, como um coração absurdamente pronto a ser amado e que ama incondicionalmente, por que as lágrimas no rosto feminino são na maioria das vezes de dor e não de alegria?

Nem mensuro as dores dos amores não correspondidos, pois isso é um sofrimento à parte, mas percebi nessa amiga uma dor latente dentro de um relacionamento onde a doação e a expressão amor dela me tocaram como há muito tempo não acontecia; li uns posts dela para o namorado, no seu blog e o cara devia ser o mais feliz do mundo, pela força e pelo poder das palavras ali escritas.

Mas tem gente, e muito mais homens que mulheres, que só valorizam quando perdem, e se isso ainda fizesse crescer, perceber as besteiras, se arrepender, mudar de atitude, talvez valesse, mas minha espécie continua Neanderthal, na sua grande maioria...

Se Cupido burro é lastimável, coração de homem-da-pedra é idiotice!

quarta-feira, outubro 25, 2006

Preâmbulo

Como todas as coisas precisam começar, traço essas porcas e deslavadas linhas prá dar um chute inicial... Não pensei em estilo, nem harmonia, nem contrapontos... pensei unicamente em escrachar meu âmago para por prá fora a dor e a alegria, prá escrever sem ter lugar onde chegar e principalmente, prá deixar pros amigos que aqui estarão, um espaço sem frescuras, mas ditado apenas pelo vento e pelo meu humor, seja ele bom ou ruim...

Início é um desafio; mesmo com tanta libertinagem semântica na web, falar dos pensamentos e sentimentos sem tornar pessoal demais é assustador. Quantos lunáticos e paranóicos estão lendo sobre as intimidades do coração, sobre as ansiedades, sobre os fatos corriqueiros, mas que compõe nossa história de vida? Esse legado é só para ser vivido ou compartilhado?

Quem sabe, um dia, possivelmente olhe para tudo isso e diga: adeus, blog! Mas enquanto durar, que seja eterno enquanto dure!

O início é um desafio para o leitor se emocionar, rir, discordar enfim, compor comigo nessas crônicas, um pouco da felicidade que é viver!

Um abraço na alma de cada um!

Newton, o Homem