Dor no coração
Outro dia falei com uma amiga próxima, uma pessoa fantástica, com mil possiblidades, com uma visão de mundo animal, coisa que se vê com cada vez menos freqüência hoje em dia.
Como várias pessoas próximas, tenho presenciado um desafeto crescente, uma individualização, um egoísmo claudicante nas expectativas da criação de uma visão única, de um relacionamento, de um projeto a dois. Não sei se sou a pessoa mais qualificada, afinal foi-se pela janela um desses projetos, com 16 anos de construção, mas tenho a consciência de que tudo foi tentado. Hoje me vejo pouca vontade em correr riscos... talvez seja uma mudança comportamental, ou a imbecilidade genética da minha espécie, que se autoriza a usar a mulher como objeto, como troféu de caça e não somente como um relez objeto de consumo, como variedade, como descartável, mas os que se propõe a sublimar a imbecilidade do 'ficar' caem invariavelmente num sentimento de posse, e se assoberbam numa posição de senhor e a mulher, tão abertamente escancarada pro relacionamento, tão íntegra pro amor fica aprisionada no pelourinho.
Por que não há continuidade na atitude da conquista? Por que não há a visão da mulher como a flor, como um coração absurdamente pronto a ser amado e que ama incondicionalmente, por que as lágrimas no rosto feminino são na maioria das vezes de dor e não de alegria?
Nem mensuro as dores dos amores não correspondidos, pois isso é um sofrimento à parte, mas percebi nessa amiga uma dor latente dentro de um relacionamento onde a doação e a expressão amor dela me tocaram como há muito tempo não acontecia; li uns posts dela para o namorado, no seu blog e o cara devia ser o mais feliz do mundo, pela força e pelo poder das palavras ali escritas.
Mas tem gente, e muito mais homens que mulheres, que só valorizam quando perdem, e se isso ainda fizesse crescer, perceber as besteiras, se arrepender, mudar de atitude, talvez valesse, mas minha espécie continua Neanderthal, na sua grande maioria...
Se Cupido burro é lastimável, coração de homem-da-pedra é idiotice!
